Aderir ou não à nova tributação? Produtor agrícola enfrenta dilema

ANÁLISE COMUNIDADE TRATTO

MAIS IMPORTANTE QUE A NOTÍCIA É O MOVIMENTO QUE ELA REVELA

A Reforma Tributária está mudando quem participa da decisão empresarial

A primeira leitura é que a Reforma Tributária vai simplificar o sistema. Mas, para o pequeno produtor rural e para as pequenas empresas, o desafio pode ser justamente o contrário, será necessário tomar decisões tributárias que hoje praticamente não fazem parte da rotina operacional.

Um produtor rural com faturamento abaixo de R$ 3,6 milhões, por exemplo, terá de avaliar se vale a pena aderir voluntariamente ao novo regime. E essa decisão pode afetar seus créditos tributários, sua relação com compradores e sua própria estrutura empresarial.

E aqui entra a segunda notícia, o contador deixa de ser apenas aquele profissional que “fecha o mês e manda a guia para pagar”.

Com IBS, CBS, créditos tributários e mecanismos como o split payment, a tributação passa a entrar dentro da operação da empresa. Nota fiscal, preço, compra, venda, fluxo de caixa e margem passam a estar diretamente conectados à estratégia tributária.

Ou seja, a Reforma Tributária não está apenas mudando a forma de cobrar impostos. Está mudando a forma de administrar empresas.

Exemplo concreto: Imagine dois produtores rurais com faturamento semelhante, um decide permanecer fora do regime por entender que a simplicidade compensa. O outro decide aderir porque consegue aproveitar créditos tributários e melhorar sua posição na cadeia de fornecimento.

Dependendo de quem compra sua produção, dos insumos utilizados e da estrutura da operação, a escolha tributária pode interferir diretamente na competitividade de cada um.

É por isso que a recomendação da CNA para buscar contador ou tributarista não é apenas uma questão de cumprimento fiscal. É uma questão de decisão empresarial.

E existe uma oportunidade importante nesse movimento.

O contador tende a ganhar relevância, mas também será pressionado a mudar seu modelo de atuação.

Ele precisará estar mais próximo da operação e, consequentemente, poderá deixar de vender apenas “contabilidade” para oferecer inteligência tributária, formação de preços, análise de margem, planejamento e apoio à tomada de decisão.

Para empresários, isso significa uma mudança de mentalidade, onde, não basta ter um contador bom em cumprir obrigações. Será cada vez mais importante ter alguém capaz de interpretar a tributação dentro do negócio.

E para o produtor rural, especialmente o pequeno e médio, surge uma questão ainda mais importante, a estrutura tributária escolhida pode passar a ser parte da estratégia de competitividade da propriedade.

A grande transformação da Reforma Tributária talvez não esteja apenas na alíquota, e sim na aproximação entre imposto e operação. A pergunta no ar é: Como essa nova estrutura tributária afeta meu preço, minha margem, meus créditos, meu caixa e minha competitividade?

E é justamente aí que a Reforma Tributária deixa de ser assunto exclusivo de contador e advogado e passa a ser assunto de gestão.

Análise Giuliano Vitorino- Tratto Brasil

Fonte: https://www.infomoney.com.br/mercados/aderir-ou-nao-a-nova-tributacao-produtor-agricola-enfrenta-dilema-diz-cna/;

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