UE compra pouco da carne bovina do Brasil, mas paga mais e abre portas para outros mercados

ANÁLISE COMUNIDADE TRATTO

MAIS IMPORTANTE QUE UMA NOTÍCIA É O MOVIMENTO QUE ELA REVELA

Agora em setembro, a União Europeia vai interromper as suas compras de produtos de origem animal do Brasil e, no caso da carne bovina. A suspensão das compras pela União Europeia nos mostra que, no comércio internacional, quem define padrões técnicos acaba definindo quem participa dos mercados mais valiosos.  Preocupando pecuaristas e frigoríficos nacionais.

Países concorrentes que já atendem aos requisitos europeus, produtores brasileiros que já trabalham com alto nível de rastreabilidade e podem migrar para outros mercados premium e mercados que valorizam certificação e qualidade, como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos, caso ampliem suas compras, saem ganhando nessa jornada.

Mas, pecuaristas que investiram no “boi Europa” ( um termo utilizado na pecuária brasileira para se rederir a animais criados em fazendas cadastradas e rastreadas, que atendem as exigências sanitárias e normativas para exportação da UE) e podem perder a remuneração adicional de até 10%, frigoríficos especializados nesse mercado.

O Brasil, que perde um importante selo de credibilidade internacional, mesmo representando apenas 3,7% do volume exportado.

O erro é analisar apenas o volume. A União Europeia compra pouco, mas compra a carne de maior valor agregado e funciona como uma vitrine regulatória. Exportar para a Europa significa demonstrar ao restante do mundo que o sistema sanitário, a rastreabilidade e o controle de qualidade atendem aos padrões mais exigentes.

Isso influencia diretamente negociações com mercados premium e fortalece a imagem da carne brasileira.

Impactos de médio prazo, são a possível redução do número de produtores investindo em rastreabilidade, caso o prêmio desapareça, maior oferta de carne de qualidade no mercado interno, pressão para acelerar a abertura de novos mercados de alto valor e a crescente importância de sistemas de identificação individual, certificação e monitoramento da cadeia pecuária.

Na prática, para o agronegócio brasileiro, a competitividade deixará de depender apenas de produzir mais. Cada vez mais, dependerá de provar origem, qualidade, sustentabilidade e conformidade sanitária.

Quem enxergar a rastreabilidade apenas como custo, pode perder espaço. Quem tratá-la como ativo estratégico estará mais preparado para acessar os mercados que pagam melhor e oferecem maior estabilidade no longo prazo.

Análise Giuliano Vitorino – Tratto Brasil

Fonte: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/08/03/ue-compra-pouco-da-carne-bovina-do-brasil-mas-paga-mais-e-abre-portas-para-outros-mercados.ghtml

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